Amostra de Cotas
Do ponto de vista teórico, podemos afirmar que
amostragem de cota não tem validade científica, devido ao fato de que a seleção da
amostra não é feita de forma aleatória. Contudo, não podemos usar os resultados
obtidos dessas amostras sem receio, já que fatores estranhos podem ter sido introduzidos
causando tendenciosidade nos resultados.
Vários são os fatores que levam ao uso de amostra de cotas. O primeiro diz respeito a
rapidez que uma pesquisa de opinião deve ser realizada, o segundo e último ao
crescimento da violência nos grandes centros urbanos que aumenta, cada vez mais, a
dificuldade dos institutos de pesquisa em visitar os domicílios para entrevistar as
pessoas.
A amostra de cotas deve estar dispersa ao longo da área geográfica da investigação.
Para a determinação das cotas, a população é estratificada. Os estratos são formados
levando em consideração algumas características da população tais como: sexo, idade,
nível econômico e a área geográfica. Essas podem ser obtidas do ultimo censo
demográfico ou de uma pesquisa de ampla abrangência como Pesquisa Nacional de
Domicílios. O tamanho da amostra é então distribuído proporcionalmente ao peso dos
estratos.
A seguir apresentamos parte de um plano de amostragem empregado numa pesquisa de opinião
que faz uso de uma amostra de cotas.
PLANO DE AMOSTRAGEM - USUÁRIOS DE LISTAS TELEFÔNICAS
No plano de amostragem a ser apresentado, as unidades
informantes da pesquisa são as pessoas. Assim, deve-se selecionar uma amostra de pessoas
que serão investigadas. É requisito básico para seleção de amostras não tendenciosas
que se garanta que qualquer pessoa tenha probabilidade de ser selecionada na amostra; para
tanto, utilizam-se os domicílios (estruturas físicas e estáveis) aos quais estão
associadas as pessoas por meio do conceito de morador (ou seja, cada pessoa é moradora em
um e só um domicílio).
Assim, os domicílios constituem-se nas unidades de seleção que permitem chegar à
seleção das pessoas.
A solução normalmente adotada para viabilizar as amostras de domicílios é a seleção
de áreas (logradouros). Desta forma, os logradouros, pequenas áreas geográficas
plenamente identificadas no campo, constituem-se nas unidades de primeiro estágio de
seleção e os domicílios pertencentes aos logradouros selecionados são as unidades de
segundo estágio.
Ocorre que, devido ao crescimento da violência nos grandes centros urbanos tem sido cada
vez maior a dificuldade dos institutos de pesquisa em visitar os domicílios para
entrevistar as pessoas.
Para contornar esse problema, algumas modificações têm sido recentemente introduzidas
nesse esquema clássico de amostragem.
A solução mais adequada, adotada neste caso, foi a de manter a seleção dos logradouros
e, em vez de chegar às pessoas através dos domicílios, entrevistar as pessoas
residentes nos logradouros selecionados e nas proximidades dos domicílios selecionados,
confirmando na entrevista que a pessoa reside naquele logradouro e que a amostra respeite
proporções no universo através da fixação de cotas de entrevistas.
Desenho da amostra
O modelo de amostragem empregado é uma amostra bi-etápica estratificada
autoponderada over-all, sendo que os logradouros se constituem-se nas unidades de
primeiro estágio, selecionadas com probabilidade proporcional ao número de assinantes
residenciais, enquanto as unidades secundárias de amostragem são os assinantes
selecionados com equiprobalidade.
Os logradouros foram estratificados em função da sua localização geográfica (bairro),
adotando-se o estudo Análise da Conjuntura Social do Rio de Janeiro elaborado pelo
IPPUR/UFRJ1 como base para a definição dos estratos ( ANEXO III). Esse estudo
aborda a distribuição da riqueza entre as áreas do estado. A tabela 1 apresenta o
número de logradouros em cada um dos cinco estratos, com o respectivo número de
assinantes residenciais.
Tabela 1 - Características da população amostrada segundo os estratos, o número de
assinantes residenciais e o número de logradouros.
NÚMERO DE ASSINANTES |
NÚMERO DE LOGRADOUROS* |
MÉDIA DE ASSINANTES |
|||
ESTRATO |
NÚMERO |
% |
NÚMERO |
% |
.POR LOGRADOURO |
1 |
238.111 |
35,34 |
1.453 |
9,99 |
163,88 |
2 |
199.223 |
29,56 |
2.272 |
15,63 |
87,69 |
3 |
105.706 |
15,68 |
2.887 |
19,85 |
36,61 |
4 |
85.858 |
12,74 |
3.134 |
21,55 |
27,40 |
5 |
45.047 |
6,68 |
4.797 |
32,98 |
9,39 |
SOMA |
100,00 |
100,00 |
46,34 |
||
Fonte: Triângulo Marketing e Informatica
*Número de logradouros com telefones
A Tabela 2 apresenta o número de logradouros e o número de assinantes na amostra,
segundo os estratos.
Tabela 2 - Número de logradouros e assinantes na amostra por estrato
NÚMERO |
||
ESTRATO |
LOGRADOUROS |
ASSINANTES |
1 |
77 |
376 |
2 |
65 |
315 |
3 |
34 |
167 |
4 |
28 |
136 |
5 |
14 |
70 |
SOMA |
218 | 1064 |
Para a seleção das pessoas foram definidas as percentagens da população residente(Censo Demográfico de 1991) alfabetizada, de 15 anos e mais em cada estrato, segundo o sexo e cinco grupos de idade (de 15 anos a 19 anos, 20 a 29 anos, 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 anos e mais). Aplicando essas percentagens ao tamanho da amostra (número de assinantes) no estrato, foram definidas as cotas de entrevista, ou seja, o número de pessoas alfabetizadas no estrato por sexo e idade que devem ser entrevistadas.
A Tabela 3 apresenta o número de entrevistas por cota, em cada estrato, segundo o grupo de idade e o sexo.
Tabela 3 - Número de entrevistas segundo o sexo e grupo de idade. Estrato 1
SEXO E GRUPOS DE IDADE |
ENTREVISTAS |
NÚMERO |
|
HOMENS ALFABETIZADOS DE 15 A 19 ANOS |
17 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 20 A 29 ANOS |
36 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 30 A 39 ANOS |
36 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 40 A 49 ANOS |
28 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 50 ANOS E MAIS |
53 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 15 A 19 ANOS |
17 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 20 A 29 ANOS |
37 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 30 A 39 ANOS |
43 |
MULHERES ALFABETIZADAS S DE 40 A 49 ANOS |
34 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 50 ANOS E MAIS |
79 |
TOTAL |
380 |
Tabela 3 - Número de entrevistas segundo o sexo e grupo de idade. Estrato 2
SEXO E GRUPOS DE IDADE |
ENTREVISTAS |
NÚMERO |
|
HOMENS ALFABETIZADOS DE 15 A 19 ANOS |
16 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 20 A 29 ANOS |
31 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 30 A 39 ANOS |
31 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 40 A 49 ANOS |
25 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 50 ANOS E MAIS |
41 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 15 A 19 ANOS |
17 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 20 A 29 ANOS |
35 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 30 A 39 ANOS |
38 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 40 A 49 ANOS |
30 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 50 ANOS E MAIS |
60 |
TOTAL |
324 |
Tabela 3 - Número de entrevistas segundo o sexo e grupo de idade. Estrato 3
SEXO E GRUPOS DE IDADE |
ENTREVISTAS |
NÚMERO |
|
HOMENS ALFABETIZADOS DE 15 A 19 ANOS |
9 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 20 A 29 ANOS |
17 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 30 A 39 ANOS |
18 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 40 A 49 ANOS |
13 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 50 ANOS E MAIS |
19 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 15 A 19 ANOS |
9 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 20 A 29 ANOS |
20 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 30 A 39 ANOS |
20 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 40 A 49 ANOS |
14 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 50 ANOS E MAIS |
26 |
TOTAL |
165 |
Tabela 3 - Número de entrevistas segundo o sexo e grupo de idade. Estrato 4
SEXO E GRUPOS DE IDADE |
ENTREVISTAS |
NÚMERO |
|
HOMENS ALFABETIZADOS DE 15 A 19 ANOS |
8 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 20 A 29 ANOS |
15 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 30 A 39 ANOS |
14 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 40 A 49 ANOS |
9 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 50 ANOS E MAIS |
15 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 15 A 19 ANOS |
9 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 20 A 29 ANOS |
17 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 30 A 39 ANOS |
17 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 40 A 49 ANOS |
12 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 50 ANOS E MAIS |
19 |
TOTAL |
135 |
Tabela 3 - Número de entrevistas segundo o sexo e grupo de idade. Estrato 5
SEXO E GRUPOS DE IDADE |
ENTREVISTAS |
NÚMERO |
|
HOMENS ALFABETIZADOS DE 15 A 19 ANOS |
5 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 20 A 29 ANOS |
7 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 30 A 39 ANOS |
5 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 40 A 49 ANOS |
5 |
HOMENS ALFABETIZADOS DE 50 ANOS E MAIS |
6 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 15 A 19 ANOS |
5 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 20 A 29 ANOS |
8 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 30 A 39 ANOS |
7 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 40 A 49 ANOS |
5 |
MULHERES ALFABETIZADAS DE 50 ANOS E MAIS |
7 |
TOTAL |
60 |
A distribuição das cotas entre os logradouros foi realizada de forma aleatória. Os entrevistadores tem plena liberdade para escolher as pessoas conforme as cotas.